Coma.

domingo, 13 de abril de 2014


Nem sei que dia é hoje e nem que horas são, mas está beirando a tranquilidade mórbida de um domingo a noite. Debaixo das cobertas, ensaio conversas com interlocutores inexistentes em troca de sonolência - inútil. Minha concha, meu abrigo, onde nenhum monstro pode me atacar. E não há frio que justifique a minha presença aqui. Há, apenas, o medo de levantar e colocar os pés descalços no chão. Ninguém pode me ver, mas eu ouço tudo o que se passa lá fora. Como disse, minha casca de noz - a separação entre a zona de conforto inócua e os possibilidades lá de fora, tal qual sujeito e predicado que não se separa por vírgula. É só o que pode ser feito é permanecer induzido a ficar na cama. 

Sério, que grande merda tá esse blog. Que grande merda estou eu.'

Idiossincrasia do Sujo.

sábado, 12 de abril de 2014


Sob a chuva, mas sem sentir as gotas na pele, sentia apenas a água turva entrar no all-star ao pisar numa poça imunda na beira do meio fio. Naquele momento, o pensamento caótico se confundia com o barulho dos carros anômicos e os faróis refletidos no chão molhado causam um estranho incômodo fotofóbico, evitado com um simples olhar para baixo...

E ver um cigarro encharcado e puído sob os pés, sob a chuva, sob o céu. O escarro é inevitável e o disparo se faz certeiro ao lado dos restos de fumo – denso e preto, tardiamente à tosse seca. O ar carregado de fuligem em suspensão do ônibus que parte é tão preto quanto o cuspe que carrega mais substâncias diferentes que um maço de cigarros se atreveria.

São as chagas asfixiadas que saem em amálgama com o pretume e, lentamente, se misturam no chão com o chorume que escorre de uma lixeira velha e enferrujada. Cada elemento combinado como deveria. Isso até que os pés descalços e rachados de um mendigo pisam na alquimia pútrida e a espalha entre os passos, misturando-a a uma nova sujeira híbrida.

Um breve pigarro e a saliva é engolida devagar na tentativa de aliviar a sequidão da garganta. Entre o escarro e a tosse; o vômito e a lágrima; a fumaça e a solidão; a arte sobrevive compartilhada na idiossincrasia do toque úmido de um aperto de mãos amigas. O sinal abre e o passo já pode se apressar para atravessar em segurança e ir para casa.


No meio!

terça-feira, 8 de abril de 2014


"Yeah, you bleed just to know you're alive"

Na lacuna destinada ao nome, o branco

E a inominável ausência se faz presente
Como se o vácuo houvesse peso, tanto! 
Demasiada, indomável e nada eloquente
Nada me revela além da própria presença
Imensa! No meio do peito faz sua morada
Sem permissão, sem nome, porém infinita
O domínio do nada - ou preto, ou branco
E toda porta, janela, saída: eu destranco
Para não prolongar ainda mais essa visita 
Pode vir e ficar, por um minuto ou dois
Às vezes, leva um dia inteiro sem saber
E, às vezes, leva sem saber e só depois
Se percebe que partiu, assim, repentina
Sem deixar rastro, nem pista do nome.

Meio sem saber, nomeio isso de 'Sei lá...'

O Escapista.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Lucidez super DIMENSIONADA
Ou overdose de realidade?
Visto um manto de cores não-vistas
1despir-se apenas do espectro evidente é vidente
Com as lentes que o mundo não te dá...
Sou(l): um monte de luzes (s)em des(a)tino ◊ ◊ ◊
E doses de ânsia de ǝpɐpıuɐsuı...
Asas da loucura! Poderosas
Podadas, porém. E, ao LOUCO
Se diz: Para-te! Disparate?
Voar? 
         Como ousa!? 
                            Pousa!
Não paro! Não ouso pousar até chegar               ∆ 

Em algum céu distante. Tento...                       r
Mas, me prendem os sonhos                            i                           
Evasivos e [vaziØs] - vistos                          g 
Com as lentes que o mundo te dá!!!                       r
Não é fugir do tempo que desbota           e
Perante meus olhos, nem do espaço     m    
que muda e vira árvore. É expandir,  e
O •∪n!verso• que há de >dentro< pra <fora>
E somos i n f i n i t ∞ s - Ωnipresentes? Deuses
De nós mesmos e além...não há paraíso artificial
O √−1maginário, para lançar→se e escapar
Deste (mundo), que também sou eu...
Nunca escapsΨsta de mim mesmo.

Nietzschedo.

segunda-feira, 24 de março de 2014

"E aqueles que foram vistos dançando
Foram julgados insanos por aqueles
Que não podiam escutar a música"
Friedrich Nietzsche

Vês - claro tal o juízo de um sifilítico
Que foge de todo e qualquer clichê!
O quão infame pode ser um analítico
E seu parecer sobre o que nem vê!

Ousa assumir posicionamento crítico

Onde não há sequer único porquê!
Imóvel tal as pernas de um paralítico
É a possibilidade na qual não se crê!

Nítido, o fazer luzir d'uma consciência

Plena, pura e livre de toda resistência
Em que tudo nessa vida pode ser crível!

Ou, simplesmente, de fazer a superação

O tentar exercer, diariamente, dedicação
De ouvir a música para tantos inaudível!

Nem tudo vem assim tão nitidamente...Sometimes all of our thoughts are misgiven, and it makes me wonder...

Chove de Noite.

terça-feira, 18 de março de 2014
         
Repentinamente, se derrama, uma a uma,
Em cada gota d'água tombada da escuridão
Que se espalha pela chão e a terra perfuma,
Mas que ecoa tal qual vozes em lamentação

Se derrama toda a tristeza em forma de prece

Pintada com tinta a base d'água, com clareza
Em traços simples, pincelados com a destreza
De quem está dentro da tormenta e se esquece

Oh, o céu que se desmancha em água e bruma
Conta o tempo da ampulheta, de grão em grão
E, de pingo em pingo, até que um dia acostuma
A se envelhecer chorando a benta purificação...

E eu não sei se é mesmo a chuva que entristece

Ou se a razão de chover é a própria tristeza!
Pois a água que afoga, afaga em dócil gentileza
E, tão logo, se despede na névoa que esmorece.


Ensaio Sobre a Cegueira.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

"And a new day will dawn for those who stand long..."


Nunca vi árvores chorando
Pelo fruto caído - maduro
Com medo do vento futuro
Que virá na próxima estação
Arrancar-lhe as folhas, flores
Talvez galhos...

Nem andorinhas com pressa
Voando a procura de atalhos
Que possam tornar mais breve
A travessa conhecida e leve  
E repetida - outra migração
De uma outra estação...

Nunca vi o céu desesperado
Ao se despedir do sol ou lua
Pois o céu é velho e conhece
Que se vai e não vai atrasado
Parte tal andorinha sem pressa
E detrás da nuvem que flutua
Devagar regressa...

Nem tristeza não-inventada
Pois nunca vi árvore chorando
Sem galhos e sem coroa de flores
Nunca vi, pois somos homens
Tão falhos com as próprias dores
E sem coroa de espinhos, ainda
Eu já vi os cegos rirem...


Sinais.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Tarde da noite, rua deserta
E a lua cheia de mistérios
Como sempre, semi-coberta
Pela nébula que logo dissipa
E a revela, na luz pálida
Onde descansa...

Na noite fria, na noite mansa
Se faz brilhar uma luz amarela
Advinda d'uma outra fonte,
Que não da lua no horizonte!
E, enquanto o vento frio gela
Todo pensamento cíclico
Que se repete e repete mais
Tal qual se repetem os Natais
E suas luzes de pisca-pisca

Tal qual um sinal intermitente
Uma luz, do espectro amarelo
Capaz de me conduzir além
Do juízo, universo paralelo!
E o sinal brilha - intermitente
Tal qual o batimento cardíaco
Ou a nuvem na frente da lua
E o descompasso do zodíaco
Ciclos do motor do carro,
Do pensamento, inspiração
Da flor nascente sazonal
Ou de qualquer outra ordem
Que já passou. Era um sinal
Intermi
            tente
                De que estou vivo.

Fique alerta [silêncio]
Fique alerta - ele diz.

(In)consciência

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Transe, Mente 
Transcendente 
I n s p i r a ç ã o
E x p i r a ç ã o
Reflexão
Orientação
I n s p i r a ç ã o
E x p i r a ç ã o 
Elevação
Transformação
Caos em Cosmo
Corpo em Mente
Transcendente.

Imerso em imanência
Emana de mim
Somente o silêncio.

Entre o plano divino

E o terreno mundano
Reconheço minha condição
De reles ser humano
Inconscientemente 
Norteado pela razão
Sempre buscando explicação
No diálogo de dois em um,
Ou de mais, ou nenhum.

Porém calo as várias vozes
E deixo apenas o som
Do meu suspiro lento
Que se faz negro manto
Ao encobrir a luz da dúvida
E se faz doce mantra,
Atmosfera de um acalento.

E no domínio desta paz
O espírito experimenta
A harmonia da liberdade
E vaga tranquilo
No ritmo do suspiro 
Que ressonante
Evolui ao canto, sibilo
Canção do sonho sagrado,
O inverso do caos
Permante
Que rege esse universo
Consciente.

Retrospectiva (2013)

domingo, 5 de janeiro de 2014


De certa forma, estive feliz com o blog, pois andei conseguindo deixá-lo atualizado com alguma frequência desde que voltei a escrever nele no ano retrasado. Escrevi, escrevi, escrevi. Criei, criei, criei. Matei, matei, matei. Arteorizei, arterrorizei, arteei, artesourei e pretendo continuar assim. 2013, um ano de aprendizado: tanto pessoal quanto profissional. Coloquei-me de frente à loucura - não foi a primeira vez, mas, talvez, a mais marcante. Frequentei a Ala de Tratamento Psiquiátrico (ATP), e lá vi uma linha amarela, intransponível, presente nos sonhos e pesadelos e pensamentos de todos que a viram, ah sim. Era a linha, divisória, representativa da loucura do outro - ah, o outro - e a minha sanidade - quanta ilusão. Conheci crianças autistas. (Re)aprendi a olhar sem hierarquia, alteridade da igualdade, um exercício diário. Saí de um estágio e entrei em outro totalmente sem planejamento prévio. Dia após dia, vi que as oportunidades se apresentam e corri atrás do que quis, mesmo que com pouco tempo de planejamento. Conquistei e falhei. Idealizei projetos. Pessoalmente, aprendi a respeitar-me, a não me submeter. Permiti-me sentir, calar, gritar, sair, chegar, voltar, voar, cair e voar novamente. Afastei o que era torpe e cínico e dei valor ao bem. Nova mente, está são. Estações em mim. Ganhei cicatrizes e fiz minha primeira tatuagem. Led Zeppelin, vento na cara e um brinco de pena. Ah, a tal "pena"! Penso que esse foi um símbolo representativo desse ano - na pele riscada e e pendurada no furo feito na carne, mas, ainda assim, leve e suave, tal qual meu coração. A pena, a trindade, a eternidade e o universo. Tive novas sensações. Experimentei. Empiristualizei. Espiritualizei. Orei. Acreditei e desconfiei. Olhei mais para as estrelas, busquei mais respostas e, como de costume, encontrei...mais perguntas. Ah, o céu me encantou e isso não é novidade. Entretanto, fiz coisas inéditas e que não acreditava que faria um dia. O que não se muda em três meses ou em um dia! Por outro lado, não escapei da monotonia do cotidiano - normal. Depois de oito anos, juntei-me, novamente, a um amigo e montei um projeto musical. Esperem pelo som que tá bem bacana. Epifonia, criada em 2012, ainda continua de pé. Fiz meu primeiro show - com a Epifonia - em um Pub e fui remunerado (risos); toquei na embaixada britânica por cerveja importada e só bebi antarctica - palha HAHA. Ganhei um vinho por ter feito uma das melhores apresentações em um karaokê. Foram pequenas conquistas musicais, mas que me fizeram orgulhoso. Sim, cantei muito, mas silenciei o dobro. Sofri de mau olhado e que tenha ficado pra trás. Apresentei-me e despedi-me, mesmo sem gostar disso. Viajei. Não conheci tanta gente nova. Joguei truco uma vez apenas no ano, após uns quase dois anos de pausa e não joguei sinuca. Tirei foto com meus ídolos dos 15 anos, e meu eu-de-15-anos-espinhento ficou feliz. Manifestei. Subi no Congresso Nacional por um país melhor. Não fiz tanta coisa que queria e fiz coisa que não queria. Fui a vários shows muito, muito bons, mas senti saudade dos shows zoados que frequentava. Cozinhei melhor, conheci e acompanhei séries novas -Allons-y! Fiz minhas esquisitices que me tornam eu, endoidei várias vezes, mas fui mais quieto, bem mais quieto. Desesperei tanto, mas como dito, calei e tranquilizei, desapressei e fechei os olhos. Dormi muito, mas não me importo, porque eu gosto mesmo. Não escrevi meus sonhos. Reli minha alma; revi minha vida, minha luta, meus valores; gastei minha força; bebi minhas culpas, meu veneno e meu vinho; escrevi minhas cartas, meus começos, meus tropeços, meu(s) caminho(s); podei meu jardim. E agora é continuar caminhando...como se alguém lesse ou se importasse com isso aqui HAHAHAHAHA

Oração ao Poente.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Para 2013 que se põe e 2014 que nasce belo!
Um mantra, uma oração, uma ideia...

Onde o amor for infinito
Que eu encontre o meu lugar
E que o silêncio da saudade
Não me impeça de cantar

Onde o amor for infinito
Que eu encontre o meu lugar
Se, por ventura, eu for austero
Que eu mude o meu olhar

Onde o amor for infinito
Que eu encontre o meu lugar
Que o estorvo da maldade
Não me impeça de voar!

Onde o amor for infinito
Que eu encontre o meu lugar
E diante de toda ofensa
Espere o tempo para acalmar.

E onde houver descrença
Que se alcance essa oração
Que a indiferença que nos cerca
Se transforme em união!

Onde o amor for infinito
Que eu encontre o meu lugar 
Que eu possa ainda sorrir
Mesmo depois de chorar

Onde o amor for infinito 
Que eu encontre o meu lugar...

Gato Preto.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Tão só, tão sozinho
Cruzou o meu caminho
Como se na a hora certa
Sem nenhum atraso 
Um gato preto.

Não pode ser acaso!
Deve ser descaso
Descompasso
Do destino.

Desatino
Do encontro
Dos caminhos
Contratempos
Ensaiados.

Pode ser carma:
Quem sabe na vida passada
Embarquei mulher no convés
Pois todo homem do mar sabe
Que isso traz revés!

Tudo pode trazer revés!
Dos caminhos e passos
Que andam os meus pés.

E, dos encontros inesperados
Seguiram em rumos opostos
Era somente um gato preto.

O Apanhador de Sonhos.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Um olhar distante 
Diz tanto.

Estação.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Tal qual ondas de uma estação de rádio 
ou flores em estações...

Clique no texto para ampliá-lo.
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013


A ausência te incomoda? Acostuma-te a incompletude, posto que esta é tua condição imutável! Costumo eu pensar que, de permanente, nesta vida, apenas a mudança. Não neste caso, porém. A descoberta do 'zero' representou, na época, um paradoxo, pois era difícil imaginar a quantificação e a representação do nada, do inexistente. Considera-se, logo, o zero como sendo uma das maiores invenções da humanidade, pois abriu espaço para a criação de todas as operações matemáticas que são conhecidas atualmente. Não é natural visualizar o vácuo, parece uma ilusão, utopia. Mas ele está lá. É a falta que preenche, ou vai me dizer que você não leu e entendeu "ausência"? Mas não há nada ali, não é? Sim, há. Há uma lacuna. A ação da retirada do grafema gerou a reação de completá-lo. Automático? Inconsciente? Anseios vãos. Indo um pouco mais além, não necessariamente cabe um i ali. Um "i" de imaginário no meio de uma ausência real. Podia ser qualquer coisa que preenche essa ausênc a - um F, G ou h; um 0; um traço; ou, simplesmente, o nada. Não se sabe. Só se sabe que esse objeto foi perdido e preenchido por aquilo que 'deveria caber ali'. Todos os dias acordamos e corremos. Corremos cegamente atrás de algo, que nem se sabe o que é, pois, se soubéssemos - verdadeiramente, não haveria o afã da busca, afoita. Falta Deus ou faltam sapatos até que haja a descoberta do              .