Des-acordo.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

"Um olhar distante
 Diz tanto."


Quisera eu ser isto mera distração do mundo
Quando desabrocha, sem aviso, o devaneio lírico
E se mostram os detalhes ao observador profundo
Tão fundo que, acordado, tem seu estado onírico

O sonho vívido que desperta em tua fulgura

E se liberta do controle, sequer por um segundo
Onde o juízo se confunde em criador e criatura!
Lá no fundo da figura da própria fantasia oriundo

Quisera eu acreditar ser isto apenas sonho

E também em toda ilusão que se apresenta, triste
Neste mundo medonho, atroz, meu olhar tristonho
Se vai pra longe, instante onde o tempo não insiste

Existe, mas desiste de imperar neste mundo

Que, no lampejo pálido do breve devaneio onírico
Revela o sonhador lunático, tão triste e vagabundo
Que, nos olhos carrega seu admirável mundo lírico

A revoada de folhas em ventos de ternura

Plumas e pétalas que mergulham no céu profundo
Único abrigo que se cabe o louco e a sua loucura
De sonhar são - a ventura de um desatino fecundo

E sou o cenário quimérico que componho
No olhar que outrora era tão distante e tão triste
Em um sonho que diz tanto, e este olhar risonho
Segue adiante, delirante no sossego que persiste

O imaginário mais real se põe à minha frente
Ou real imaginado que cruza a fronteira que estala
Tal qual a face do espelho que estatela claramente
Na realidade como ela é: quisera eu poder sonhá-la!

Nação Zumbi.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

"What am I doing with my life? I'm so pale. I should get out more. I should eat better. My posture is terrible. I should stand up straighter. People would respect me more if I stood up straighter. What's wrong with me? I just want to connect. Why can't I connect with people? Oh, right, it's because I'm dead. I shouldn't be so hard on myself. I mean, we're all dead. This girl is dead. That guy is dead. That guy in the corner is definitely dead. Jesus these guys look awful." - Warm Bodies (2013)

O processo de putrefação
Que antecede o obituário!
Incerta, declara a certidão
Um estado semi-funerário

Decerto, mais de um milhão

Vivendo em cada óbito diário
Na marcha fúnebre, procissão
Onde o passo anda involuntário

Soam as trombetas, anunciação!

Apocalipse e isolamento, senão
De humano, não sobrará nada! 

O retiro para conter a infecção! 

Vale, então, da carne a exumação
Se a alma permanece enterrada?


Manchado.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

"We chase
misprinted lies"



Incenso aceso, vela de chama baixa
Que chama a cura no recanto do xamã
Pois há mancha que embaça a vista
De tudo que fui em tudo que sou
Amálgama de tinta cinza e preta
Da fumaça erguendo-se em silhueta 
Metamorfoseada em rorschach
Sinal da essência...de sândalo
A purificar tudo que fui e sou
Em tudo que se foi e sei - ou não...
Um chamado do âmago enigmático
Minhas substâncias ilícitas, amalgâmicas
Chagas, mágoas, manchas assimétricas
De tudo que estive sendo e deixei
Se abrigar no que sou, manchado
Mancha do ego em id, em übermensch 
Uma super ação: deixei a super mancha
Recôndita, flutuante dentro da concha
Que faz o barulho do mar em ressaca
Tela pintada a óleo, ou da tosse seca
Do ar sujo inalado, ecoando, chamando
Enquanto faço do rorschach novas pranchas
Outras manchas que deixarei...
[Deixar ir ou deixar ficar]
[Manchando e chamando]