Querido diário,

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

É, esse post vai ser um pouco diferente dos outros presentes aqui no blog. Sem muito lirismo, serão apenas materializados alguns pensamentos despretensiosos que hoje me ocorreram. Reflexões rasas, banais e corriqueiras que, certamente, muita gente já pensou parecido...

- E aí, beleza?
- Beleza! E você?
- Vivendo a vida
- Adoidado?
- Jamais, parcimônia é lema de vida...

E, subitamente, aqui se findou o diálogo, podando toda e qualquer insanidade que poderia emergir de um insano com l  o  n  g  o  s  e dolorosos intervalos de sanidade...

Esse jeito CARETA de viver a vida me incomoda. Entendo, aceito, cada um sabe do seu, afinal; mas, mesmo assim, ainda sinto-me inquieto, no mínimo. Careta não no sentido de optar por não fazer uso de drogas, mas no sentido de só viver sem nada que extrapole o medíocre. Permanecer ali na superfície plana, sem oscilações, sem extremos. De fato, é mais cômodo, mas não me contento com isso, infelizmente. Meio-amar, meio-chorar ou meio-gritar; ou nem isso, tendo em vista que isso já é grande demonstração de imprudência, tangenciando nem que seja um pouco da nossa humanidade. 

Não dá pra permanecer em cima do muro em tudo: meio-sentir, meio-viver ou estar meio-grávida. Se não vive por completo, portanto, sobrevive? E se tornam ali, robozinhos caretas, longe de qualquer coisa que o torne realmente humano, longe do alto do monte ou do fundo do abismo. Homens-de-lata habituados com a falta de um coração - o do Mágico de Oz pelo menos buscava um, enquanto esses se contentam com o prudente, o meio termo; nem bom, nem ruim - apenas aceitável. 

A natureza não é parcimoniosa! É intensa, furiosa! Da calmaria à fúria dos mares mais bravios. Extremos! Não há coisa mais bela que o desequilíbrio se tornando equilíbrio para se desequilibrar novamente. Do metal que se molda em qualquer formato, podendo voltar ao formato inicial. Adaptação. Uma constante oscilação entre caos e cosmo.

E devagar se vai longe, longe, inclusive, até da sua própria essência - permanecendo superficial. Let me go, let me go. Let me seek the answer that I need to know. Let me find a way, let me walk away through the undertow, please let me go! Let me fly, let me fly...Let me rise against that blood-red velvet sky. Let me chase it all, break my wings and fall - probably survive - so let me fly. Let me fly. Let me run, let me run, let me ride the crest of chance into the sun. You were always there, but you may lose me here, now love me if you dare and let me run. I'm alive and I am true to my heart now - I am I; Let me break! Let me bleed! Let me tear myself apart I need to breathe! Let me lose my way! Let me walk astray! Maybe to proceed...just let me bleed! Let me drain, let me die, let me break the things I love I need to cry! Let me burn it all! Let me take my fall! Through the cleansing fire! Now let me die! Let me die...Let me out, let me fade into that pitch-black velvet night. Não condeno quem optou por ter um lema de vida tão estático, mas eu vou aí curtindo a vida adoidado, na potencialidade de cada momento. Arriscado ou não, deixe-me ir...

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Vinho de Rosas.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Ao longe, o sino da capela bate e uma sombra deixa um rastro escarlate por onde passa até a décima segunda badalada. Tomai todos e bebei!

Cerram as púrpuras pálpebras
Sob o piso de pétalas pútridas 
Na face lânguida, desfalecente
Faz-se a luz da lua reluzente!

A figura funérea traja escarlate
E debruça sedenta sobre a donzela,
Desafortunada presa para o abate
Enquanto voam pétalas pela janela

Eis a última ceia que está servida!
Demoníaco, arrebata a esperança
Até a última gota que no colo desliza 
Arrastando o suspiro final d'uma vida...

São ilusões em sangue embebidas
De onde vêm quimeras impossíveis
Sim, sonhos, fantasias perecíveis!
Tal como aquelas pétalas fenecidas...

Errante pelas velhas sepulturas jaz a maldita alma sob a cruz; e se alimenta da vida e da inocência presente em cada sonho - um vampiro sedento que profana todo cálice que lhe encosta os lábios e azeda até o vinho das pétalas de rosas...

"Sou o sonho da tua esperança, tua febre que nunca descansa, o delírio que te há de matar!" Sim, amiguinhos, esse sou eu - a figura escarlate! Bizarro, bizarro hehe  

This is Halloween! This is Halloween!

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Monstrinhos. Vejo monstrinhos em todo lugar. Das velhas lendas de bruxas e vampiros aos personagens modernos de histórias de terror e mitos urbanos pra boi não dormir! Uma bela noite que, certamente, deixaria Lord Byron ou Mary Shelley orgulhosos. Entretanto, não há medo. Não há hiperventilação, taquicardia ou rigidez muscular - nenhuma reação fisiológica que justifique o medo. Depois de velhos, nossos medos mudam. As figuras que nos amedrontavam não o fazem mais. O silêncio e a solidão nos dão muito mais medo que um possível bicho-papão. A ausência da figura do monstro em si nos faz preencher o barulho do vento com nossos piores pesadelos. O monstro não está debaixo da cama ou dentro do guarda roupa - está em/ é você, que vê o que teme onde não há. Tememos o indesejado até nos neo-monstros: pedófilos, psicóticos e psicopatas, em toda sua monstruosidade de violação da lei social e, principalmente, da lei da natureza - afinal, são monstros, desapropriados de toda e qualquer humanidade por conta de suas discrepâncias do comportamento socialmente e naturalmente aceito. Um disfarce para nossa própria monstruosidade renegada em máscaras de monstro  ou em monstros sem máscara. É noite de Helloween.

Um dos meus filmes preferidos na infância!